O Museu no Balanço das Águas, por Maria Amélia Vieira

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Quando li as primeiras histórias do Museu no Balanço das Águas, um museu itinerante que navega pelo baixo São Francisco promovendo exposições, oficinas e eventos de arte e educação. fiquei apaixonada. Hoje parte do acervo do barco/museu e da Galeria Karandash está exposta na “Arte das Alagoas”, na‪ #‎designweekendsp‬. Por isso, convidamos a idealizadora de tudo isso, a artista Maria Amélia Vieira, para nos contar um pouco mais sobre suas andanças a bordo do Santa Maria:

21467_187503371423160_1321184845_nMaria Amélia e Dalton embarcam para mais um dia andarilho.

Meu marido Dalton e eu somos artistas plásticos, galeristas e colecionadores de arte. Vivemos e trabalhamos em Maceió no estado de Alagoas. Nesses trinta anos de parceria, a paixão pela arte popular e a vida se misturaram e fomos por aí, andarilhos, nos finais de semana, feriados e em todos os nossos momentos livres pelo nordeste brasileiro, mais precisamente nos cantos e recantos da nossa Alagoas, descobrindo e convivendo com artistas , adquirindo suas obras e divulgando suas produções.

Enfrentamos muitas dificuldades, estradas mal tratadas, sol rachando na nossa pele, trilhas erradas, mordidas de insetos; mas estávamos sempre motivados por encontrar “algo” encantador, “aquele objeto” essencial e único para compor a nossa coleção. Sempre fomos movidos pelos nossos corações apaixonados à cada nova descoberta.

582505_329135607200584_2134840774_nNavegando pelo Baixo São Francisco.

Em 2008, na intensidade de nossas buscas, descobrimos novos motivos, novos olhares, novas possibilidades de ver e existir. Aí começa a história de um barco, de um museu itinerante, de uma experiência que nos move e nos comove desde lá.

Com parte do acervo de nossa coleção, foi criado O Museu Coleção Karandash de arte popular e contemporânea e um típico barco do baixo São Francisco que denominamos O Museu no Balanço das Águas foi escolhido como primeiro núcleo da Coleção.

no-barco-os-bonecos-de-Clemilton-800x533Obras feitas por Clemilton durante a expedição “Ampliando Saberes”, 2015.

O barco intervém de forma lúdica no cotidiano dos moradores do baixo São Francisco, compreendendo os estados de Alagoas e Sergipe. Ao chegar alegremente nesses povoados, traz consigo exposições de arte popular e contemporânea, materiais e maquinários diversos como câmeras fotográficas, filmadoras, tintas, papeis, lápis de cor, argila, que são, através das oficinas, disponibilizados gratuitamente à população, criando condições ideais para o desenvolvimento da criatividade de todos os participantes.

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O artesão Chico Cigano em meio a obras expostas no barco.

É a arte que se pratica indiferentemente – sem preconceitos ou elitismo de classe – ali, nas margens das comunidades ribeirinhas, envolvendo um número enorme de pessoas que nunca tiveram a oportunidade, criando diálogos entre mundos, possibilitando intercâmbios, promovendo e ampliando os saberes dos Mestres da região para crianças e jovens; realizando, enfim, o “direito” à arte.

Por Maria Amélia.


Na semana especial do design em São Paulo, os alagoanos têm lugar especial reservado na exposição Arte das Alagoas, com obras do acervo da Galeria Karandash: 

Lar Center (av. Otto Baumgart, 500). De 12 a 15 de agosto, das 10h às 22h e 16 de agosto, das 14h às 20h. Entrada gratuita.


Fotos: divulgação Obrigada: Adélia Borges e Maria Amélia Vieira

 

2 comentários em “O Museu no Balanço das Águas, por Maria Amélia Vieira”

  1. Maria Amélia,
    estou fazendo um livro de artista viajante sobre o rio São Francisco
    e quero muito colocar as fotos e texto sobre seu projeto.
    Adelia Borges e Celso Brandão já estão colaborando pois tem várias paginas no livro
    sobre os artistas da ilha do Ferro e de São Pedro.
    Grato e abraço grande do Bené

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