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Filme: Pierre Verger – Mensageiro entre Dois Mundos

O fotógrafo Pierre Fatumbi Verger não nasceu entre os seus, mas viveu entre eles. A cor da sua pele não era branca nem negra, era da ponte, untada do sagrado, que unia a Salvador africana e a Àfrica baiana. É acompanhando esse fantasma mensageiro que Gilberto Gil empreende uma viagem entre os continentes irmãos no documentário Pierre Verger – Mensageiro entre Dois Mundos, dirigido por Luiz Buarque de Holanda. O seduzido Pierre não é protagonista dessa história e nunca quis ser. Ele, que com um facão cortou suas raízes e com o silêncio fincou os brancos pés na terra do Axé dava sempre um passo para trás, porque o que importava era o Candomblé, os Orixás que dançam. Fatumbi, o filho do trovão, de cabeça consagrada a Xangô, fotograva os humanos, mas também os deuses e deusas que ocasionalmente em sua casca fazem morada. Eles permitiam. Entre um Fatumbi que quase morria e outro que se comunica com outro lado através dos búzios, Gil descobre que o amor de Verger era sua capacidade de acumular …

Patuá, por Luiza Wolff

Pesquisando sobre a palavra patuá, a nossa colaboradora Carol Hoffmann, nos apresentou a antropóloga Luiza Wolff. Nosso olhar estava tão focado mais ao Norte que ficamos surpresos ao saber sobre as suas pesquisas no Rio Grande do Sul. Nascida em Porto Alegre, a gaúcha se mudou para Pelotas e se deparou com um legado africano muito presente na cultura local. Foi o território perfeito para continuar seus estudos sobre religiões afro-brasileiras através de seus objetos. Pedi à Luiza para buscar algumas fotos da sua gaveta e compartilhar com a gente registros de suas andanças: A: De onde vem seu interesse pelas religiões afro-brasileiras? L: O interesse surgiu quando me mudei de Porto Alegre (RS) para Pelotas (RS) para cursar bacharelado em Antropologia, com ênfase em Arqueologia. A minha curiosidade sobre a religião afro-brasileira foi despertada e ficando mais forte porque as casas afro-religiosas em Pelotas são extremamente presentes. Por mais exótico que pareça para quem não conhece a história do Rio Grande do Sul, essa cidade ao sul do sul tem uma cultura afro-brasileira fortíssima. Pelotas foi uma cidade de produção de charque e provou uma …

Encantarias, por Rodrigo Sena

Rodrigo Sena é fotógrafo, documentarista e co-diretor de “Encantarias”. Nascido no Rio, vive em Natal, onde investiga a fé, as religiões, as crenças, os orixás através da câmera. Por aqui, ele conta como muito começou em sua infância e compartilha alguns dos seus principais trabalhos: https://www.youtube.com/watch?v=16VUJ1HB_As • Por que fazer o documentário Encantarias? Para diminuir distâncias. Venho de uma educação cristã e, quando criança, se eu cantava a música baiana com todos os seus orixás, levava bronca: “Não cante demônios!”. Quando adulto, procurei saber quem era esse tal de “orixá” ou suposto “demônio”. Fiquei fascinado ao conhecer os Encantados orixás, divindades celestiais que não tinham qualquer relação com demônios e vinham atrelados à uma questão sociocultural. Fiz a escolha de contar essas historias, valorizar e desmistificá-las através de trabalhos como Encantarias [2015], Festa de Deuses e Homens [2011], Herança [2012], entre outros. Ensaio “Afrobrasileiros”, por Rodrigo Sena. • O que é o Coletivo Nação? Coletivo Nação surge da vontade de somar através de um coletivo de fotógrafos de distintas regiões do país com o objetivo de documentar as idiossincrasias …

Encantados, por Ricardo Teles

Nascido em Porto Alegre, Ricardo Teles trabalha como fotógrafo independente para publicações como as revistas alemã Der Spiegel e National Geografic Brasil, pela qual recebeu por duas vezes o  prêmio Best Edit de melhor reportagem internacional (2013 e 2015). Foi pesquisando sobre patuás, que cheguei até o seu trabalho e o ensaio “Encantados”. É um prazer recebê-lo no Andarilha para falar sobre suas andanças pelo Brasil: • O que te levou a fotografar as celebrações afro-brasileiras? Por que o nome Encantados? Encantados é um termo usado em um religião peculiar do Maranhão, o Terecô. Significa estar sob efeito de encantaria, de um ente espiritual. Acho que isso se aplica bem para o estado de espírito das pessoas que participam das celebrações afro-brasileiras de maneira geral. É uma busca pela ancestralidade, de um significado a existência. Extraídos a força do seu meio social e natural; condenados a dispersão e a mistura, mercadejados e vendidos, os africanos encontravam-se diante de uma situação limite quando foram trazidos para cá. Foram trezentos e cinquenta anos de escravidão negra no Brasil; …