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Buíque, Pernambuco - Brazil. Setember 19th - José Bezrra or Zé Bezerra, 64, is one of the most influential artists in northeastern Brazil. Works usually with twisted logs, typical vegetation of the Caatinga, exclusively Brazilian biome, where he lives, in Catimbau Valley in Buíque - Pernambuco, Brazil. His animals, bodies and faces, usually carved in umburana not have much of sweetness of the call folk art, made of affection and familiarity with the materials, their figures seem to struggle to emerge. JB, its signing, attributes this "struggle to emerge" with his own life. Among the difficulties of the arid climate, prisons and art, Zé Bezerra is a figure as surprising as his work.

Um encontro com Zé Bezerra, por Tiago Silva

Em Pernambuco, a tradição de desbastar a umburana, arvore típica da Caatinga, para esculpir carrancas, imagens religiosas entre outras figuras, é mais forte em cidades do sertão como Petrolina. No agreste, esse saber é mais presente em Ibimirim. Entretanto, é em Buíque que reside um dos grandes nomes escultores: José Bezerra ou Zé Bezerra, como prefere ser chamado. Nascido em 1952, Zé, há um pouco mais de uma década, conta que teve um sonho em que era chamado a realizar os trabalhos que faz atualmente. A partir daí, ele passou a olhar as madeiras que o cercavam e a intervir nelas. Essa “intervenção” na madeira feita por ele não ocorre na forma tradicional: “eu não crio nada, a coisa já está lá, eu só ajudo a fazê-la nascer”. São bichos, corpos e rostos, esculpidos geralmente em toras de madeira encontradas na região. Não são figuras que remetem à leveza do nosso imaginário da arte feita à mão, ou arte dita popular. Pelo contrário, são esculturas que parecem lutar para emergir. JB, como assina, atribui essa luta à sua própria …

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Super Casas, por Fabiana Moraes

Não conheci Fabiana pelos seus textos, mas sim pelas suas imagens – o que pode ser considerado um pecado. A jornalista pernambucana já lançou vários livros (Os Sertões, Nabuco em Pretos e Brancos, No País do Racismo Institucional e O Nascimento de Joicy) e, como reporter especial do Jornal do Commercio em Pernambuco, venceu recentemente o prêmio Petrobrás de Jornalismo com a série Casa Grande e Senzala. Foi através de fotos das casas que ela visita em reportagens que conheci seu olhar para o Brasil. Registros de andanças que ela reúne de forma irônica na hashtag #supercasas. Onde anúncios imobiliários de modernos apartamentos se encontram, Fabiana sapeca as imagens das mais belas casas populares. Só mesmo alguém atento às possibilidades de leituras que as redes sociais proporcionam para garantir o tom político tão inerente à este tema: a morada. • Como jornalista, de onde surgiu a ideia de fotografar casas pelo Brasil? Nunca tive nenhuma pretensão de fazer um levantamento sobre moradias populares. Mas, ao entrar tantas vezes nas casas das pessoas – já se vão mais de 15 anos pedindo licença e sentando nos sofás ou nos bancos …

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Aberaldo e uma família em manifesto pela herança

Se existe um homem sertanejo, ele se chama Aberaldo. Conhecido pelo seu primeiro nome. Lardo, para a família e amigos próximos. Aberaldo Santos Costa Lima, nascido em Ilha do Ferro, Alagoas, é filho de Costinha, poeta e fazedor de barcos, sobre quem já contamos aqui. A padaria local só recebe pães um dia na semana e o mercado mesmo só em Pão de Açúcar, cidade do outro lado do rio. Por isso, é difícil ir à Ilha e não conhecer a casa de Aberaldo, afinal, é sua esposa, Vânia, quem recebe muitos dos visitantes para o café, almoço e janta que ela prepara todos os dias no fundo da casa, em uma mesa larga de madeira no quintal repleto de restos de galhos, raízes, folhas, casulos e troncos retorcidos, muitos à espera de Aberaldo e sua imaginação. Ateliê de Aberaldo, em Ilha do Ferro, Alagoas Enquanto Vânia nos recebe com sorriso largo e – só mesmo alguém que já visitou o sertão ou um interior de cerrado vai entender – com muita fatura nas refeições; Aberaldo senta-se no canto oposto da …

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Reisado de Caretas, por Samuel Macedo

Esta semana convidamos o fotógrafo cearense Samuel Macedo para colaborar com nosso Diário de Bordo. Conheci Samuel em Rio Acima (MG), visitando uma exposição do Infâncias, projeto do qual ele participa. No Andarilha, ele compartilha um pouco sobre o seu processo criativo para fotografar o Reisado de Caretas através de palavras, imagens e até áudios contando um pouco mais sobre suas histórias: “Eu sou cearense e, de menino, convivo com manifestações culturais como esta. Há alguns anos registro e acompanho o caminhar dos mestres e de suas brincadeiras. Comecei a fotografar ainda quando criança. Meu avô tinha uma oficina de onde saiam as coisas mais legais que já vi na minha vida; um monte de invenção que ele fazia. Uma dessas invenções, a que mais me chamava a atenção, era a câmera escura. Por conta dela, comecei a ter vontade de fotografar.   Às margens da Lagoa do Sassaré, por volta da década de 1930, já se tinha notícia dos brincantes do Reisado de Caretas. É como contava Dona Neuza, mãe de Antônio Luiz, atual mestre do grupo de caretas do sitio Sassaré. Fotografo o grupo há 3 anos. Sempre que vou ao Cariri, passo na …