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Poeira do Tempo: o Samba de Coco em Mundo Novo

Minha história com a comunidade quilombola do Mundo Novo, no interior de Pernambuco, já tem pouco mais de um ano. Quem acompanha meu trabalho conhece algumas histórias dessa vila simples, porém, rica no que diz respeito aos aspectos culturais que moldaram nossa sociedade. Não sou um antropólogo, musicólogo ou etnógrafo especialista em cultura brasileira. Sou fotógrafo e narro o que me encanta: a força dos laços identitários que transcendem a consanguinidade e o parentesco, e vinculam-se às ideias tecidas sobre valores, costumes e lutas comuns. Pequena comunidade do Mundo Novo, Buíque, PE. É em Novo Mundo que eu observo os pés pisarem com força a terra como uma alusão ao trabalho de pilar o chão de barro das senzalas. Neste ritmo sincopado, apresenta-se o Samba de Coco – que motiva tensões e, ao mesmo tempo, realiza o papel ritualístico de promover engajamentos políticos múltiplos e trânsitos de sentidos, encontros e desencontros interculturais. Neste movimento, existem vários planos de significação: dança, ataque, conflito, ódio, revolta, medo, prazer, riso, esperança e liberdade. Sigo a dança e tento …

Buíque, Pernambuco - Brazil. Setember 19th - José Bezrra or Zé Bezerra, 64, is one of the most influential artists in northeastern Brazil. Works usually with twisted logs, typical vegetation of the Caatinga, exclusively Brazilian biome, where he lives, in Catimbau Valley in Buíque - Pernambuco, Brazil. His animals, bodies and faces, usually carved in umburana not have much of sweetness of the call folk art, made of affection and familiarity with the materials, their figures seem to struggle to emerge. JB, its signing, attributes this "struggle to emerge" with his own life. Among the difficulties of the arid climate, prisons and art, Zé Bezerra is a figure as surprising as his work.

Um encontro com Zé Bezerra, por Tiago Silva

Em Pernambuco, a tradição de desbastar a umburana, arvore típica da Caatinga, para esculpir carrancas, imagens religiosas entre outras figuras, é mais forte em cidades do sertão como Petrolina. No agreste, esse saber é mais presente em Ibimirim. Entretanto, é em Buíque que reside um dos grandes nomes escultores: José Bezerra ou Zé Bezerra, como prefere ser chamado. Nascido em 1952, Zé, há um pouco mais de uma década, conta que teve um sonho em que era chamado a realizar os trabalhos que faz atualmente. A partir daí, ele passou a olhar as madeiras que o cercavam e a intervir nelas. Essa “intervenção” na madeira feita por ele não ocorre na forma tradicional: “eu não crio nada, a coisa já está lá, eu só ajudo a fazê-la nascer”. São bichos, corpos e rostos, esculpidos geralmente em toras de madeira encontradas na região. Não são figuras que remetem à leveza do nosso imaginário da arte feita à mão, ou arte dita popular. Pelo contrário, são esculturas que parecem lutar para emergir. JB, como assina, atribui essa luta à sua própria …

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Erlaine e a família Biano: a herança do Congado

Em visita à Jequitibá, cidade conhecida como a capital do folclore mineiro, fomos convidados pela equipe do Folclorata (festival que promove o encontro de culturas populares) para ir acompanhar um ensaio da família Biano. Logo quando chegamos à comunidade quilombola de Lagoa da Trindade, encontramos um sítio de terra batida, uma casa amarela, muitos tambores e, claro, a serelepe Erlaine na varanda da casa. Tem gente que nasce festa. Pois Erlaine nasceu na família certa. Seu avô Sebastião começou a Congada e seu pai Domingos seguiu formando a Guarda de Nossa Senhora do Rosário.  Erlaine fez questão de nos mostrar um diploma comemorativo que o prefeito concedeu em homenagem ao seu pai. Com muito orgulho, ela conta que ele não foi só um grande salvaguardor deste saber na família, mas também um criador de danças, cantorias e rítmos. É dele a autoria da Dança das Manguaras, uma apresentação feita com varas longas de pau (manguaras) extremamente enérgica, guiada pelo som de apitos ritmados, com coreografias diversas: ‘Meu pai já era de idade quando ele viu uma dança em uma festa [Vilão] e decidiu criar uma parecida, mas ao seu jeito. Colocou …

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Mestres Navegantes, por Betão Aguiar

Eu tenho um sonho: conhecer a região do Cariri no Ceará. Tudo começou quando conheci o Mestres Navegantes, pesquisa de manifestações musicais tradicionais e populares pelo Brasil, idealizada pelo músico Betão Aguiar. Ao ver o vídeo de Mestra Margarida Guerreira, me encantei por conhecer uma região através de suas músicas e dos saberes de cada um desses Mestres. Na época, eu trabalhava na Trip Editora e soube que Betão Aguiar iria tocar em uma das festividades que estávamos organizando. Fui lá me apresentar para dizer: “Betão, esse trabalho de pesquisa e registro é muito importante”. Quando soube que muito foi inspirado também na figura de seu bisavô, fiquei ainda mais feliz em recebê-lo aqui no nosso Diário de Bordo: A ideia do projeto Mestres Navegantes surgiu do prazer de vivenciar a simplicidade, riqueza de espírito e musicalidade de mestres populares que tive oportunidade de conhecer nos últimos anos. Também nasceu do sonho que outros e outras pudessem ver e viver tais belezas ou, ao menos, sentir o gostinho, mesmo que não possam ir visitar pessoalmente os lugares onde vivem essas pessoas. …

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Festival LAB, por Taynara Pretto da Cunha

Taynara Pretto é catarinense e coleciona mais endereços de morada do que eu. É quem nos recebeu em sua atual casa, em Maceió, com o melhor bolo de rolo de Alagoas e um punhado de carinho. Conviver com quem vive, trabalha e faz música é um constante presente em minha vida. Por isso, quando recebemos o convite de nosso amigo, Victor Almeida, não resistimos. Fomos lá conferir mais uma edição do festival de música independente, o LAB, criado por ele e produzido pela Taynara: Viver em uma cidade como Maceió é conhecer de perto a expressão “faça você mesmo”. Perceber as suas necessidades e as de quem convive no mesmo meio que você e querer transformar isso em algo positivo é – e só pode ser – uma coisa boa. Foi assim que nasceu o Festival LAB, lá em 2009: da vontade de reunir amigos em um espaço legal para ouvir música. Música que, de certa maneira, é relevante para nós, não obedecendo, necessariamente, questões de mercado ou projeções de público. Peguei o barco andando, dois …