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Brincante, por Lucas Magalhães

Na Convocatória Brincante (realizada junto ao Coletivo Nação, com apoio da Revista Raiz), buscamos selecionar também jovens olhares, como o de Lucas Magalhães. O mineiro vivenciou em sua própria cidade, Belo Horizonte, na comunidade de Concórdia, manifestações culturais populares tradicionais do Congado. A relação com as crianças e com os jovens do local ressaltou a importância de seu olhar como também fotógrafo. Por aqui, entrevistamos mais sobre a sua pesquisa: Como você chegou até a comunidade de Concórdia, em Belo Horizonte? Cheguei ao Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário por meio de um projeto de pesquisa e extensão pela UEMG – Escola de Design. Durante a disciplina optativa “Antropologia Visual” do curso Bacharelado em Design Gráfico, conheci o trabalho da professora e pesquisadora Cristiane Gusmão Nery, que já vinha desenvolvendo projetos não só com o Reinado Treze de Maio, mas também com diversas Guardas de Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Belo Horizonte e região (Ibirité, Prudente de Morais e Conselheiro Lafaiete são algumas cidades em que também estivemos presentes). O trabalho mais extenso …

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Patuá, por Luiza Wolff

Pesquisando sobre a palavra patuá, a nossa colaboradora Carol Hoffmann, nos apresentou a antropóloga Luiza Wolff. Nosso olhar estava tão focado mais ao Norte que ficamos surpresos ao saber sobre as suas pesquisas no Rio Grande do Sul. Nascida em Porto Alegre, a gaúcha se mudou para Pelotas e se deparou com um legado africano muito presente na cultura local. Foi o território perfeito para continuar seus estudos sobre religiões afro-brasileiras através de seus objetos. Pedi à Luiza para buscar algumas fotos da sua gaveta e compartilhar com a gente registros de suas andanças: A: De onde vem seu interesse pelas religiões afro-brasileiras? L: O interesse surgiu quando me mudei de Porto Alegre (RS) para Pelotas (RS) para cursar bacharelado em Antropologia, com ênfase em Arqueologia. A minha curiosidade sobre a religião afro-brasileira foi despertada e ficando mais forte porque as casas afro-religiosas em Pelotas são extremamente presentes. Por mais exótico que pareça para quem não conhece a história do Rio Grande do Sul, essa cidade ao sul do sul tem uma cultura afro-brasileira fortíssima. Pelotas foi uma cidade de produção de charque e provou uma …

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Encantarias, por Rodrigo Sena

Rodrigo Sena é fotógrafo, documentarista e co-diretor de “Encantarias”. Nascido no Rio, vive em Natal, onde investiga a fé, as religiões, as crenças, os orixás através da câmera. Por aqui, ele conta como muito começou em sua infância e compartilha alguns dos seus principais trabalhos: • Por que fazer o documentário Encantarias? Para diminuir distâncias. Venho de uma educação cristã e, quando criança, se eu cantava a música baiana com todos os seus orixás, levava bronca: “Não cante demônios!”. Quando adulto, procurei saber quem era esse tal de “orixá” ou suposto “demônio”. Fiquei fascinado ao conhecer os Encantados orixás, divindades celestiais que não tinham qualquer relação com demônios e vinham atrelados à uma questão sociocultural. Fiz a escolha de contar essas historias, valorizar e desmistificá-las através de trabalhos como Encantarias [2015], Festa de Deuses e Homens [2011], Herança [2012], entre outros. Ensaio “Afrobrasileiros”, por Rodrigo Sena. • O que é o Coletivo Nação? Coletivo Nação surge da vontade de somar através de um coletivo de fotógrafos de distintas regiões do país com o objetivo de documentar as idiossincrasias regionais …

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Encantados, por Ricardo Teles

Nascido em Porto Alegre, Ricardo Teles trabalha como fotógrafo independente para publicações como as revistas alemã Der Spiegel e National Geografic Brasil, pela qual recebeu por duas vezes o  prêmio Best Edit de melhor reportagem internacional (2013 e 2015). Foi pesquisando sobre patuás, que cheguei até o seu trabalho e o ensaio “Encantados”. É um prazer recebê-lo no Andarilha para falar sobre suas andanças pelo Brasil: • O que te levou a fotografar as celebrações afro-brasileiras? Por que o nome Encantados? Encantados é um termo usado em um religião peculiar do Maranhão, o Terecô. Significa estar sob efeito de encantaria, de um ente espiritual. Acho que isso se aplica bem para o estado de espírito das pessoas que participam das celebrações afro-brasileiras de maneira geral. É uma busca pela ancestralidade, de um significado a existência. Extraídos a força do seu meio social e natural; condenados a dispersão e a mistura, mercadejados e vendidos, os africanos encontravam-se diante de uma situação limite quando foram trazidos para cá. Foram trezentos e cinquenta anos de escravidão negra no Brasil; …

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Penitentes, por Guy Veloso

As crenças. Os ritos. A fé: tema que sempre achei central em pesquisas sobre a cultura brasileira. A consagrada série “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo” do fotógrafo paraense Guy Veloso me vem a mente. Um transe entre o documental e o espiritual, onde eu me sinto em uma intimidade absurda e proibida com o outro. Convidar Guy Veloso para falar sobre a criação dessa série seja, talvez, surreal: Iniciado em 2002, “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo”, curado por Rosely Nakagawa, tinha previsão de durar 13 anos. Mas para mim está sendo muito difícil “expulsar” este tema de minha mente, dado o envolvimento com as pessoas que é característico (creio) em meu trabalho. “Penitentes”, também chamados “Alimentadores das Almas”, são grupos laicos de caráter secreto que durante certas épocas do ano, saem noite adentro rezando pelos “espíritos sofredores”, geralmente cobrindo rostos com panos ou capuzes. Tive a sorte de, em 2010, ser o primeiro pesquisador a provar que estas confrarias de tradição oral, grande parte de difícil acesso ou até sigilosas, poderiam ocorrer nas 5 regiões …