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Poeira do Tempo: o Samba de Coco em Mundo Novo

Minha história com a comunidade quilombola do Mundo Novo, no interior de Pernambuco, já tem pouco mais de um ano. Quem acompanha meu trabalho conhece algumas histórias dessa vila simples, porém, rica no que diz respeito aos aspectos culturais que moldaram nossa sociedade. Não sou um antropólogo, musicólogo ou etnógrafo especialista em cultura brasileira. Sou fotógrafo e narro o que me encanta: a força dos laços identitários que transcendem a consanguinidade e o parentesco, e vinculam-se às ideias tecidas sobre valores, costumes e lutas comuns. Pequena comunidade do Mundo Novo, Buíque, PE. É em Novo Mundo que eu observo os pés pisarem com força a terra como uma alusão ao trabalho de pilar o chão de barro das senzalas. Neste ritmo sincopado, apresenta-se o Samba de Coco – que motiva tensões e, ao mesmo tempo, realiza o papel ritualístico de promover engajamentos políticos múltiplos e trânsitos de sentidos, encontros e desencontros interculturais. Neste movimento, existem vários planos de significação: dança, ataque, conflito, ódio, revolta, medo, prazer, riso, esperança e liberdade. Sigo a dança e tento …

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Erlaine e a família Biano: a herança do Congado

Em visita à Jequitibá, cidade conhecida como a capital do folclore mineiro, fomos convidados pela equipe do Folclorata (festival que promove o encontro de culturas populares) para ir acompanhar um ensaio da família Biano. Logo quando chegamos à comunidade quilombola de Lagoa da Trindade, encontramos um sítio de terra batida, uma casa amarela, muitos tambores e, claro, a serelepe Erlaine na varanda da casa. Tem gente que nasce festa. Pois Erlaine nasceu na família certa. Seu avô Sebastião começou a Congada e seu pai Domingos seguiu formando a Guarda de Nossa Senhora do Rosário.  Erlaine fez questão de nos mostrar um diploma comemorativo que o prefeito concedeu em homenagem ao seu pai. Com muito orgulho, ela conta que ele não foi só um grande salvaguardor deste saber na família, mas também um criador de danças, cantorias e rítmos. É dele a autoria da Dança das Manguaras, uma apresentação feita com varas longas de pau (manguaras) extremamente enérgica, guiada pelo som de apitos ritmados, com coreografias diversas: ‘Meu pai já era de idade quando ele viu uma dança em uma festa [Vilão] e decidiu criar uma parecida, mas ao seu jeito. Colocou …