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Orgulho dos pais, Clemilton esculpe uma família

Quem trabalha com arte e cultura sabe. Quantas vezes você já foi desencorajado a seguir esses passos? Quantas pessoas já te chamaram a atenção para possíveis apertos financeiros, para as questões de ego, para algumas dificuldades? Em uma família de advogados, economistas e engenheiros, compreendo de alguma forma esse lugar. Por isso, conhecer Clemilton foi marcante. Quando nos falaram de um novo talento em Mata da Onça, região próxima à Ilha do Ferro, fomos lá conhecê-lo. Vilarejo lindo. Lindo. Essa paisagem vou guardar pra sempre na lembrança. Na fachada da casa, um brasão enorme do time da família: o Vasco. Um bar de um lado, uma morada do outro. Entramos na sala e a família toda veio nos receber. Clemilton é um moço jovem, tímido, quieto. Fica ao fundo buscando as esculturas de madeira a cada palavra alternada pelo pai e pela mãe. Sim, nunca vi pais mais orgulhosos. A cada pergunta que eu fazia eles disputavam qual peito era mais inflado de amor pelo talento do filho. Sabe aquela expressão “dá gosto”? Deu. Muitos dos …

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Aberaldo e uma família em manifesto pela herança

Se existe um homem sertanejo, ele se chama Aberaldo. Conhecido pelo seu primeiro nome. Lardo, para a família e amigos próximos. Aberaldo Santos Costa Lima, nascido em Ilha do Ferro, Alagoas, é filho de Costinha, poeta e fazedor de barcos, sobre quem já contamos aqui. A padaria local só recebe pães um dia na semana e o mercado mesmo só em Pão de Açúcar, cidade do outro lado do rio. Por isso, é difícil ir à Ilha e não conhecer a casa de Aberaldo, afinal, é sua esposa, Vânia, quem recebe muitos dos visitantes para o café, almoço e janta que ela prepara todos os dias no fundo da casa, em uma mesa larga de madeira no quintal repleto de restos de galhos, raízes, folhas, casulos e troncos retorcidos, muitos à espera de Aberaldo e sua imaginação. Ateliê de Aberaldo, em Ilha do Ferro, Alagoas Enquanto Vânia nos recebe com sorriso largo e – só mesmo alguém que já visitou o sertão ou um interior de cerrado vai entender – com muita fatura nas refeições; Aberaldo senta-se no canto oposto da …

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Manoel da Costa Lima: cantando a terra de Morena bonita que nunca lhe fez o mal

Quando o fotógrafo Celso Brandão nos contou sobre a Ilha do Ferro, foi logo dizendo aos músicos da trupe, Viquitor e Bruno, que levassem seus instrumentos e fizessem uma visita ao poeta popular e tocador de oito baixos, Manoel da Costa Lima. Costinha, como assina seus cordéis, é pai de Aberaldo, um dos artesãos mais conhecidos na Ilha. Sobre sua história, sabemos que fazia barcos e sua habilidade com a madeira inspirou o filho a ser escultor.  No primeiro encontro que tivemos com Aberaldo, perguntamos sobre seu pai. O filho comentou que o irmão também é músico e toca muito bem gaita, mas que o pai estava em luto, com a recente perda da esposa, e não tocava mais o oito baixos há uns dois anos. Sentimos a tristeza da ausência da mãe e nos atemos a poucas palavras sobre o assunto.  Fachada de luto da casa de Manoel. Na volta de Mata da Onça, uma região próxima à Ilha do Ferro, onde fomos conhecer um jovem artesão, nosso amigo e guia Dedé nos recomendou dar uma paradinha na “boca do …

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Celso Brandão: do pai herdou ser andarilho; da mãe, ser artista

Na vontade de conhecer o Rio São Francisco, onde começou a história de minha família andarilha, decidi ir a Maceió e busquei dicas de diversas pessoas amigas. A curadora Adélia Borges, com quem trabalhei recentemente, me recomendou conversar com o fotógrafo e documentarista Celso Brandão, alagoano premiado por suas pesquisas etnográficas em imagens e filmes. Passamos um domingo em sua casa, conhecendo sua história e sua coleção de arte; em busca de saber mais sobre o destino inicial traçado: a Ilha do Ferro.  A caminho da casa de Celso, uma estampa de coqueiros. A casa de Celso em si já é pura história. Cada canto guarda uma escultura e uma viagem. Andarilho, vai me citando os nomes para que eu visite os ateliês: Valmir, Dedé, Clemilton…Antes de começar qualquer papo mais longo, passa a mão no telefone e liga para Mariana, filha do artesão Aberaldo, e pede para que eles ajeitem a casa de Celso na Ilha, pois eu faria uma visita no dia seguinte. Fico sem jeito, sorrio radiante e agradeço a gentileza. Um presente desses raros. …

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Petrônio e Yang: pai e filho esculpindo imaginários

Na estrada para Ilha do Ferro, Alagoas, avista-se o sítio Estrelo onde as obras de José Petrônio Farias dos Anjos são enfileiradas já no caminho de entrada para dizer: “bem vindos, aqui mora um artesão”. Ficamos na vontade de parar, mas só no retorno a Pão de Açúcar fomos fazer a visita. É ele quem acena para a gente entrar com um largo sorriso no rosto: “vocês passaram por aqui na segunda, não foi? eu avistei vocês”. Logo abre sua casa e mostra seu trabalho: cadeiras, bancos, mesas. Aprendeu com Mestre Fernando Rodrigues, já falecido artesão da Ilha, famoso por suas cadeiras de troncos retorcidos, importante incentivador de todos a fazer arte com a madeira. Petrônio conta que recebeu, certo dia, um desafio de Seu Fernando: “faça-me ex-votos de encomenda”. Pois fez e não parou mais.  O fantástico mundo das esculturas de Petrônio Farias. Gosto de tudo que vejo mas fico mesmo é curiosa com suas esculturas da entrada. Bichos de duas cabeças, olhos arregalados amarelados, dentes afiados, corpos retorcidos, cílios grandes, boca vermelha de sangue. “Minha arte é difícil de vender por que …