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Convocatória Brincante: ensaios selecionados

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Em parceria com o Coletivo Nação e a Revista Raiz, lançamos uma Convocatória aberta para fotógrafos durante o mês de fevereiro em busca de estimular o olhar para a figura do brincante:

O brincante é mais do que um festeiro, do que um folião, ele é um agente do brincar e atua de forma propositiva e criativa no fazer de uma manifestação cultural e popular. É ele quem cria as máscaras e as fantasias, desconstrói o ritmo dos tambores, reinventa as letras das marchinhas. É ele o corpo manifestante que ocupa a cultura como lugar de resistência, salvaguarda a herança recebida e a renova em seu próprio ato de brincar.

Com o objetivo de conhecer alguns desses brincantes pelo país, recebemos em um mês mais de quarenta ensaios fotográficos sobre o tema. Entre eles, cinco se destacaram por fotografarem seus personagens de perto e para além das suas fronteiras geográficas: um boi bumbá urbano em Belo Horizonte; um bloco de carnaval do manguezal na cidade histórica de Paraty; grupos de reisados com influências afrobrasileiras no interior do Rio de Janeiro; um resistente palhaço do tradicional Cavalo-Marinho da Zona da Mata pernambucana e religiosos da Serra da Canastra mineira em recepção à folia de reis.

As fotografias de Gui Christ, Hélia Scheppa, Lucas Magalhães, Marina Wang e Ratão Diniz traduzem rítmos, danças, cantos, fazeres e saberes transmitidos oralmente e coletivamente na vivência dos brincantes em sotaques das mais diversas origens pelo Brasil. Urbano e rural; religioso e profano;  tradição e criatividade; as fronteiras entre essas supostas dualidades são reinventadas em cada ensaio:

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Hélia Scheppa, “Seu Martelo”, 2014, Condado, PE

“Fiz um ensaio sobre o Mateus do cavalo-marinho e escolhi Seu Martelo, morador do município de Condado, mata norte de Pernambuco, para representar esse brincante. Considerado um teatro popular, o cavalo-marinho representa o cotidiano dos cortadores de cana-de-açúcar, com poesia, música, rituais e movimentos corporais”.

 

Gui Christ, "Hoje é Dia de Folia" 6 de janeiro de 2015 Piabeta, RJ
Gui Christ, “Hoje é Dia de Folia”, 2015, Piabeta, RJ

“Andando pelas ruas em blocos, desfilando com estandartes, tocando marchas e recitando versos, os Grupos de Reis do Grande Rio possuem uma maneira única de festejar, combinando tradições católicas com ritmos africanos – e ainda sob forte influência do carnaval carioca”.

 

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Ratão Diniz, “Uga, Uga, Há Há – Da Lama ao Bloco”, 2016, Paraty, RJ

“O Bloco da Lama existe desde 1986 e ganhou fama internacional por tratar de espantar as energias negativas e os maus fluidos para garantir o bom astral no carnaval, com seus brincantes cobertos de lama dos pés a cabeça”.

 

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Lucas Magalhães, “O Boi do Reinado Treze de Maio” 2014 Concórida, BH, MG

“O momento da saída do boi é aguardado ansiosamente pelos moradores do bairro. As pessoas tocam o boi pedindo proteção, o boi dança para elas, elas retornam com alguma doação. Mas há também quem provoque o boi e, como em uma brincadeira, ele corre pelas ruas, entra em algumas casas, sobe ladeira, desce ladeira e, na volta para a sede, é seguido por uma verdadeira multidão”

 

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Marina Wang, “Folia de Reis” 2016, São José do Barreiro,MG

“Os belos versos são transmitidos e preservados de geração em geração pela tradição oral e prosseguem como manifestação popular indo de porta em porta, cantando, brincando e confraternizando com os moradores através das oferendas”.

 

À todos que participaram e nos apresentaram a agentes de salvaguarda da cultura tão resistentes e criativos, fica aqui o nosso muito obrigado:

“Saúdo todos aqueles que sabem que a tradição
verdadeira não pode jamais ser confundida com
repetição ou rotina; que nelas nós não cultuamos as
cinzas dos antepassados, mas sim a chama imortal que
os animava” Ariano Suassuna, 1998


Convocatória Brincante: uma realização Andarilha + Coletivo Nação com apoio da Revista Raiz. Agradecimentos especiais ao fotógrafo Celso Oliveira e a todos os participantes!

 

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