Todas as publicações sobre: dicionário

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Brincante, por Lucas Magalhães

Na Convocatória Brincante (realizada junto ao Coletivo Nação, com apoio da Revista Raiz), buscamos selecionar também jovens olhares, como o de Lucas Magalhães. O mineiro vivenciou em sua própria cidade, Belo Horizonte, na comunidade de Concórdia, manifestações culturais populares tradicionais do Congado. A relação com as crianças e com os jovens do local ressaltou a importância de seu olhar como também fotógrafo. Por aqui, entrevistamos mais sobre a sua pesquisa: Como você chegou até a comunidade de Concórdia, em Belo Horizonte? Cheguei ao Reinado Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário por meio de um projeto de pesquisa e extensão pela UEMG – Escola de Design. Durante a disciplina optativa “Antropologia Visual” do curso Bacharelado em Design Gráfico, conheci o trabalho da professora e pesquisadora Cristiane Gusmão Nery, que já vinha desenvolvendo projetos não só com o Reinado Treze de Maio, mas também com diversas Guardas de Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Belo Horizonte e região (Ibirité, Prudente de Morais e Conselheiro Lafaiete são algumas cidades em que também estivemos presentes). O trabalho mais extenso …

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Brincante, por Hélia Scheppa

Ao criarmos uma Convocatória sobre Brincantes, nossa vontade era mesmo de entender o cotidiano desse agente da cultura popular. Queríamos ir até a sua casa, tomar um café, ver onde ele dorme, como ele guarda sua fantasia, como ele se prepara para os ensaios, como. Como é meio e caminho – um jeito andarilho de olhar. Foi por isso que nos encantamos tanto com o ensaio de Hélia Scheppa, fotógrafa pernambucana conhecida pelas reportagens dos jornais locais. O ensaio “Seu Martelo” faz parte de uma reportagem junto ao jornalista Mateus Araujo para o Jornal do Comercio e conta a história de Sebastião, um dos mais antigos Mateus (palhaços) do Cavalo-marinho da Zona da Mata: “…ele rompeu os limites do popular e também já adentrou na dança contemporânea. Durante oito anos, dividiu a cena com o Grupo Grial de Dança, em espetáculos como A barca e Castanho sua cor. Martelo cobra o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco que nunca conseguiu receber do Governo do Estado e reclama que “é muito difícil ser Mateus, porque você não é valorizado”. No entanto, …

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Convocatória Brincante: ensaios selecionados

Em parceria com o Coletivo Nação e a Revista Raiz, lançamos uma Convocatória aberta para fotógrafos durante o mês de fevereiro em busca de estimular o olhar para a figura do brincante: O brincante é mais do que um festeiro, do que um folião, ele é um agente do brincar e atua de forma propositiva e criativa no fazer de uma manifestação cultural e popular. É ele quem cria as máscaras e as fantasias, desconstrói o ritmo dos tambores, reinventa as letras das marchinhas. É ele o corpo manifestante que ocupa a cultura como lugar de resistência, salvaguarda a herança recebida e a renova em seu próprio ato de brincar. Com o objetivo de conhecer alguns desses brincantes pelo país, recebemos em um mês mais de quarenta ensaios fotográficos sobre o tema. Entre eles, cinco se destacaram por fotografarem seus personagens de perto e para além das suas fronteiras geográficas: um boi bumbá urbano em Belo Horizonte; um bloco de carnaval do manguezal na cidade histórica de Paraty; grupos de reisados com influências afrobrasileiras no interior do Rio de Janeiro; um resistente palhaço do tradicional Cavalo-Marinho da Zona da Mata pernambucana e religiosos da …

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Livro: E Daí Aconteceu o Encanto

É a árvore desconhecida. Eu não sabia que os cactos podiam crescer para além dos telhados, das casas de Omolú e Oxalá. Ao folhear as páginas do livro Daí Aconteceu o Encanto, senti como se revirando um caleidoscópio apertado contra as pálpebras, a dança dos miúdos vidros coloridos intrigante e indecifrável, tornando impossível parar o giro. Mãe Stella conhece dos Orixás, das heranças, e quando escreve, faz com o que leitor se sinta nessa posição de criança encantada, mas também ignorante. Porque das rainhas e reis de ébano que teceram a história do Candomblé, Mãe Stella herdou a agulha. Para nós também tece, mas não com condescendência. Quando conta no livro a vida de Mãe Aninha, fundadora do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, pede um dicionário. É uma colmeia de palavras que fazem mais sentido quando faladas, o mel da boca. Como transformar uma história que deveria ser de voz em um livro? Só trançando, e fazendo isso só com magia, as agulhas do espinho do cacto ancestral. Mãe Stella conta causos, assim, …

Filme: Pierre Verger – Mensageiro entre Dois Mundos

O fotógrafo Pierre Fatumbi Verger não nasceu entre os seus, mas viveu entre eles. A cor da sua pele não era branca nem negra, era da ponte, untada do sagrado, que unia a Salvador africana e a Àfrica baiana. É acompanhando esse fantasma mensageiro que Gilberto Gil empreende uma viagem entre os continentes irmãos no documentário Pierre Verger – Mensageiro entre Dois Mundos, dirigido por Luiz Buarque de Holanda. O seduzido Pierre não é protagonista dessa história e nunca quis ser. Ele, que com um facão cortou suas raízes e com o silêncio fincou os brancos pés na terra do Axé dava sempre um passo para trás, porque o que importava era o Candomblé, os Orixás que dançam. Fatumbi, o filho do trovão, de cabeça consagrada a Xangô, fotograva os humanos, mas também os deuses e deusas que ocasionalmente em sua casca fazem morada. Eles permitiam. Entre um Fatumbi que quase morria e outro que se comunica com outro lado através dos búzios, Gil descobre que o amor de Verger era sua capacidade de acumular …