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Patuá, por Biancamaria Binazzi

Tive o prazer de ouvir a radialista e produtora cultural Biancamaria Binazzi falando sobre seu trabalho de pesquisa musical no Goma-Laca em uma mesa imperdível do Seminário “Projeto Missão de Pesquisas Folclóricas 1938-2015”, realizado no Centro Cultural São Paulo. Mario de Andrade, como diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, organizou em 1938 a Missão de Pesquisas Folclóricas que viajou durante 2 meses pelo Norte e Nordeste do Brasil coletando observações em Cadernetas e fazendo gravações sonoras das mais diversas manifestações culturais populares. Alguns objetos adquiridos dessas andanças fazem parte do acervo do CCSP e foram expostos em outubro de 2015. Diversas atividades como shows e mesas redondas fizeram deste mês uma homenagem às diferenças étnico-raciais, culturais e religiosas brasileiras. Uma das mais importantes ações curatoriais ocorridas na cidade no ano passado, cuja exposição principal ainda está em cartaz, até 06 de março de 2016. Por isso,  fiz questão de convidar Bianca para participar da nossa pergunta “para você, o que é patuá?” e sua resposta não poderia ter sido outra que não uma coletânea de músicas sobre o tema. Depois de escutar tantos cantores brasileiros importantes cantando aos orixás, tive a certeza …

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Encantarias, por Rodrigo Sena

Rodrigo Sena é fotógrafo, documentarista e co-diretor de “Encantarias”. Nascido no Rio, vive em Natal, onde investiga a fé, as religiões, as crenças, os orixás através da câmera. Por aqui, ele conta como muito começou em sua infância e compartilha alguns dos seus principais trabalhos: • Por que fazer o documentário Encantarias? Para diminuir distâncias. Venho de uma educação cristã e, quando criança, se eu cantava a música baiana com todos os seus orixás, levava bronca: “Não cante demônios!”. Quando adulto, procurei saber quem era esse tal de “orixá” ou suposto “demônio”. Fiquei fascinado ao conhecer os Encantados orixás, divindades celestiais que não tinham qualquer relação com demônios e vinham atrelados à uma questão sociocultural. Fiz a escolha de contar essas historias, valorizar e desmistificá-las através de trabalhos como Encantarias [2015], Festa de Deuses e Homens [2011], Herança [2012], entre outros. Ensaio “Afrobrasileiros”, por Rodrigo Sena. • O que é o Coletivo Nação? Coletivo Nação surge da vontade de somar através de um coletivo de fotógrafos de distintas regiões do país com o objetivo de documentar as idiossincrasias regionais …

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“Procuram-se Vanessas para falar de amor”, Maria Carmencita Job

Entrevistando algumas mulheres escutei diversas vezes sobre amor. Mas também escutei sobre alguns corações partidos – e as viradas que a vida deu após alguns deles. Quando conheci a pesquisadora e documentarista Maria Carmencita Job esse tema se tornou a superfície exposta de uma pele fina e forte, sensível e cicatrizada.  Nossa conversa me fez pensar como a nossa cultura tão patriarcal nos silencia. Quantas mulheres gostaríamos de ser e não somos? A quantas gostaríamos de dar voz e não damos? Encontrei neste curta de Carmencita uma tentativa de uma de suas mulheres internas falar. Sobre amor. Falar sobre amor de um lugar onde muitos acreditam que o encanto se perdeu.“Procuram-se Vanessas para falar de amor” dizem seus cartazes espalhados nas ruas. Vai ver foi isso; com um coração deserto, ela buscou no terreno mais alheio a si, o amor.  E em Vanessa, ela o encontrou: A: De onde surgiu essa vontade de falar sobre mulher e amor através da prostituição? MC: Há 4 anos venho estudando sobre os estados de amor, paixão e sexualidade através do monitoramento de tendências a partir …

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I Encontro de Bois e Ursos de Arcoverde, por Tiago Henrique

Há alguns anos, no campo da cultura, o cuidado com o patrimônio  ferroviário ganhou evidência. Após a desativação de muitas ferrovias no Brasil devido, entre outras coisas, às dívidas contraídas pela Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima – RFFSA e ao desequilíbrio técnico-operacional decorrente da degradação da infraestrutura, entre os anos de 1980 e 1992, muitas ferrovias foram privatizadas e abandonadas. Em Arcoverde, Sertão do Moxotó, Pernambuco, não foi diferente. A história da cidade perpassa também a da Estação Ferroviária Barão de Rio Branco. A estrada de ferro teria, segundo a prefeitura, intensificado o comércio e possibilitado a elevação da cidade à categoria de município. A Estação foi inaugurada em 1912 e desativada por volta da década de 1980. Após anos de abandono, em 17 de novembro de 2001, um grupo de artistas pulou, pela primeira vez, os muros da estação e desde então ocuparam o local com o objetivo de realizar atividades culturais. Em 2004 a estação foi certificada pelo governo federal como o primeiro ponto de cultura do Brasil. Passou a ser conhecida como …

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Por que você fotografa? Por Fábio Nascimento

Fábio Nascimento é mineiro e reside em São Paulo, mas você o encontra mesmo é pelo Brasil e pelo mundo contando histórias importantes através da fotografia. Sempre questionador, trabalhar com Fábio é treinar um olho crítico e atento. É inspirador saber de suas andanças e investigações sobre temas que abordam, em sua maioria, questões de minorias e sócio-ambientais. Em tempos de crimes ambientais tão graves acontecendo no Brasil, fico feliz em convidar Fábio para compartilhar um pouco sobre a importância de seu fazer: “Antes da Tempestade” Greenpeace Brasil Pará, Brasil, 2015. Como é fazer reportagens para, por exemplo, a National Geographic, Green Peace, Unesco/Museu do Índio? Te escrevo agora tendo voltado de uma série de viagens, documentando situações diversas, como a resistência do povo Munduruku contra o projeto de hidrelétricas no rio Tapajós, ou os índios Ka’apor se organizando de maneira autônoma para defender seu território de invasores madeireiros, ou ainda um web-documentário sobre energia solar. Bem, fazer essas reportagens, antes de mais nada, está muito ligado ao que me interessa, às pessoas, lugares e costumes com quais me importo. …