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Sebastião Nascimento e uma aparelhagem da saudade

Fiquei curiosa para conhecer de perto Belém do Pará ao ver um documentário sobre a indústria fonográfica e o tecnobrega chamado Good Copy, Bad Copy, com o jornalista Ronaldo Lemos. A estreita relação da cidade com a música é audível a qualquer passante que esteja atento aos bikesons, às aparelhagens e às guitarradas. Foi nesse encantamento pelo som e pelo Pará que me peguei assistindo repetidas vezes ao Sonoro Diamante Negro, um vídeo que fazia parte da exposição “A Arte da Lembrança”, com curadoria de Diógenes Moura, no Itaú Cultural. O projeto tratava-se de uma inciativa de preservação de memórias de Suely Nascimento para reconstruir a vida de uma das primeiras grandes aparelhagens de Belém. O que me fisgou no trabalho da jornalista e fotógrafa paraense foi o fato que o dono do Sonoro era seu pai. Até então, eu sabia que o Andarilha seria sobre quem vive o percurso e busca inspirações em suas andanças cotidianas. Mas só ali, embalada pela música dos Bailes da Saudade, entendi que, se somos trajetória, é essencial falarmos também das heranças. E assim, nasceu esta plataforma, que resgata os sotaques e as histórias herdadas como referência para criar. Um ano …

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Vilanova Artigas, o arquiteto e a luz; por Laura Artigas

Como será ser neta de alguém tão importante para a história da arquitetura brasileira como Vilanova Artigas? Foi quando visitei a Ocupação Vilanova Artigas no Itaú Cultural que pensei em escrever para a cineasta Laura Artigas, sua neta, convidando-a para contar sobre a co-direção do documentário Vilanova Artigas, o arquiteto e a Luz. Por aqui ela compartilhou um texto escrito com muito carinho sobre todo esse seu processo de criação:  O professor de roteiro advertia que adaptar uma história real para a ficção pode ser uma tarefa árdua. Um roteiro de ficção precisa de uma estrutura, e de certa lógica, já os fatos da vida real nem sempre fazem sentido. Em 2009 me deparei com vida de Vilanova Artigas acumulada em caixas e pastas em um quatro na casa dos meus pais. Desenhos e mais desenhos. Artigas foi um arquiteto do “breve século XX”, segundo o conceito do historiador inglês Eric Hobsbawm. Ele nasceu durante a Primeira Guerra e morreu antes da queda do Muro de Berlim. Era comunista. E pôde viver a Guerra Fria que pautou …

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Emílio Domingos: do pai, herdou o olhar sem distinções

Quando eu ouvi falar na dança do passinho, fiquei hipnotizada. Eu já havia pesquisado sobre os passos do treme no Pará em meus estudos sobre aparelhagens por lá. Foi quando a batalha bombou e eu entrei em contato com o Emílio, diretor do documentário “a Batalha do Passinho”. Na primeira oportunidade no Rio, marcamos um papo para falar sobre o vício que é ver esses moleques dançarem. Tudo começou em 2008. Emílio esbarrou em vídeos online do Passinho do Frevo, Passinho Foda e Passinho do Cidade Alta. Passou horas vendo tudo aquilo, sem saber nada sobre quem eram aqueles garotos que dançavam. Até que em 2011, em um evento sobre arte urbana chamado R.U.A, no SESC, ele encontrou os organizadores da Batalha que o convidaram para ser um dos jurados de uma competição. Emílio topou não julgar, mas sim registrar os quatro dias de dança. No primeiro dia, foi mesmo só um começo. Tantas crianças dançavam o passinho nas apresentações que Emílio se pegou pensando sobre aquele jeito de mexer e se expressar através do corpo que parece tão natural do carioca, como se a meninada já …

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Celso Brandão: do pai herdou ser andarilho; da mãe, ser artista

Na vontade de conhecer o Rio São Francisco, onde começou a história de minha família andarilha, decidi ir a Maceió e busquei dicas de diversas pessoas amigas. A curadora Adélia Borges, com quem trabalhei recentemente, me recomendou conversar com o fotógrafo e documentarista Celso Brandão, alagoano premiado por suas pesquisas etnográficas em imagens e filmes. Passamos um domingo em sua casa, conhecendo sua história e sua coleção de arte; em busca de saber mais sobre o destino inicial traçado: a Ilha do Ferro.  A caminho da casa de Celso, uma estampa de coqueiros. A casa de Celso em si já é pura história. Cada canto guarda uma escultura e uma viagem. Andarilho, vai me citando os nomes para que eu visite os ateliês: Valmir, Dedé, Clemilton…Antes de começar qualquer papo mais longo, passa a mão no telefone e liga para Mariana, filha do artesão Aberaldo, e pede para que eles ajeitem a casa de Celso na Ilha, pois eu faria uma visita no dia seguinte. Fico sem jeito, sorrio radiante e agradeço a gentileza. Um presente desses raros. …